Da ética para a partidocracia

Na sequência do chumbo do orçamento de estado por parte do tribunal constitucional, numa conferência de imprensa do líder da oposição, candidato a chefe de estado, após defender a queda do actual governo:

Jornalista – E como é que vai substituir esses 1300 milhões de euros?

Seguro – Quem criou esse problema que o resolva.

A comprovação visual deste atentado pode ser feita neste vídeo ao minuto 2.05. Atroz!

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A crise financeira segundo os economistas

Ben Bernanke, Olivier Blanchard, Lawrence Summers, Axel Weber estão entre os economistas mais influentes no mundo. Estas foram as personalidades que lidaram directamente com a crise financeira mundial que emergiu desde 2007. Sendo profissionais com carreiras académicas solidificadas, mantendo sempre uma relação próxima face aos últimos avanços no campo da ciência económica, representam também a influência dos economistas nas instituições de decisão política; seja em bancos centrais, governos nacionais, ou organismos internacionais. Na transmissão que abaixo indico, estes economistas discutem (em inglês) a sua visão sobre a crise de 2007 numa conferência organizada pela LSE.

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Explicação do Quantitative Easing: Duas Versões

Há actualmente um intenso debate nos EUA sobre o interesse de um nova ronda de politicas monetárias por parte do da Reserva Federal. Em particular discute-se muito a segunda vaga de facilitação quantitativa denominada como QE2 (quantitative easing 2 – aparentemente pronuncia-se como “quiuitue”). Esta é uma política económica não convencional e que não é conhecida pela maior parte das pessoas. Explorando esses desconhecimentos, explicações dúbias são normalmente aceites como válidas. Um exemplo refere-se à popularização de uma animação explicando afinal o que é o quantitative easing (ex Forbes, Zero Hedge, e Real Clear Politics). Não me parece que esse vídeo tenha sido escrito por nenhum economista. É portanto a versão labrega da explicação sobre a política do banco central. Há também uma versão do mesmo vídeo, mas escrita por um economista. Esta será a versão ponderada da explicação. Feita esta nota introdutória, deixo-vos as duas diferentes  animações que pretendem esclarecer o quantitative easing:

versão labrega

versão ponderada por James Hamilton

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Lionel Mckenzie 1919-2010

Lionel Mckenzie, um dos mais proeminentes fundadores da teoria económica moderna, faleceu esta manhã com a idade de 91 anos. Lionel foi obviamente responsável pelo desenvolvimento de muitos dos fundamentos da teoria de equilíbrio geral, em particular sobre a existência e percursos óptimos de crescimento. Sendo um economista altamente prolífico, teve ainda importantes contributos em muitas outras áreas da ciência económica. Durante a sua carreira recebeu inúmeros prémios e honras. Foi também o fundador do Departamento de Economia da Universidade de Rochester tendo acompanhado e treinado inúmeros economistas que prestaram enormes contributos para a sociedade. O nome de Mckenzie é particularmente reconhecido no Japão por isso mesmo. Um dia de pesar para a Economia.

(O marginal revolution contém uma pequena biografia de Lionel Mckenzie com algumas ligações).

Lionel Mckenzie na primeira posição do lado direito na Universidade de Rochester durante os anos 50.
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Dívida pública portuguesa: comparação internacional e o acto de fiar

Para uma melhor compreensão das dinâmicas internacionais relativamente a défices orçamentais e dívidas públicas deixo aqui dois gráficos.

O primeiro gráfico indica a evolução recente das finanças públicas de um grupo de países. À primeira vista Portugal não parece estar  mal enquadrado. Atente-se no entanto que os números entre parênteses indicam o crescimento médio do PIB na última década. Certamente que este péssimo desempenho económico deverá estar a funcionar como um primeiro sinal de preocupação dos credores internacionais.

Fonte: Fed de St. Louis

Mas há ainda mais e pior. Utilizando as previsões dos economistas do BPI – que apresentaram uma estimativa para a ‘dívida consolidada’ (acrescentam a dívida de empresas do estado, de municípios, e de regiões autónomas) – podemos desenhar o segundo gráfico. Este induziria qualquer pessoa a verbalizar a seguinte reacção: – Queres fiado? Toma!

A linha a vermelho foi adicionada por mim. Baseia-se nas estimativas do bpi e assume uma ‘dívida pública consolidada’ de 60% do pib em 2006 (atente-se que o tal estudo do bpi apontava ainda para uma dívida pública de 135% do pib em 2013)
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Expectativa para o prémio Nobel em economia – 2011

Thomas Schelling and Robert Aumann, Photo: Henrik Montgomery, Copyright © Scanpix"
Robert Aumann e Thomas Schelling laureados de 2005 (imagem aqui)

Logo para começar, este não se trata de um prémio Nobel convencional, mas de um cedido pelo banco central da Suécia em memória de Alfred Nobel. Este somente começou a ser atribuído em 1969 com os merecidos premiados Ragnar Frisch e Jan Tinbergen.

No entanto, e principalmente com a descontinuação da medalha de Walker, o Nobel em Economia é um dos mais prestigiados prémios na profissão.

Dia 11 de Outubro serão anunciados os premiados para o ano de 2010. Já existe alguma especulação sobre quem será distinguido (aqui). Na minha própria opinião, o prémio deverá ser atribuído a alguém na macroeconomia já que o padrão histórico recente sugere uma alternância anual entre este campo e a macroeconomia/econometria. Neste sentido, não consigo pensar em melhores candidatos do que o trio Sargent, Sims, e Hansen pelas suas enormes e influentes contribuições na macroeconomia (expectativas racionais e aprendizagem) e econometria (GMM e VAR). Dada a corrente crise financeira, nomes como Kyotaki e Moore terão um ímpeto natural no comité de avaliação. No entanto, não me parecem tão influentes.

Mesmo que esta previsão não se concretize este ano, Sargent, Sims e Hansen serão candidatos naturais para os próximos anos. Esperemos para ver a 11 de Outubro.

Mais alguém se atreve a previsões?

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Robert Merton sobre a crise financeira

O economista laureado Robert Merton utiliza as ferramentas da teoria financeira moderna – que o próprio também desenvolveu – para perceber algumas das dinâmicas mais inesperadas da corrente crise económica e subsequente propagação para as instituições financeiras: porque é que o risco de mercado cresceu de uma forma muito acentuada(?); qual a razão das perdas colossais e continuadas dos agentes financeiros(?); como é que modelos de avaliação de risco tipicamente utilizados (VaR) falharam tão notavelmente (?).

Para simplificar a resposta a tais questões, Merton utiliza a seguinte decomposição dos activos arriscados detidos pelos bancos (créditos hipotecários):

activo sem risco (asr) = activo com risco (ar) + garantia sobre activo (g)

<=>        ar = ars – g

Significa isto que a aquisição de activos (empréstimos) pelos bancos pode ser decomposta em duas partes: aquisição de um activo sem risco (empréstimo ao governo dos EUA), e alienação de uma garantia sobre esse activo. A parte interessante desta analogia é que uma garantia nada mais é do que uma opção de venda sobre o valor de um determinado activo que funcione como colateral no empréstimo. Portanto, se o preço de um activo for inferior ao preço contratualizado, então a opção terá o valor correspondente à diferença entre esses dois preços. No exemplo de um empréstimo para uma habitação, esta garantia significa que, em caso de incumprimento, o banco terá de pagar a diferença entre o valor de mercado do imóvel (que será penhorado e vendido) e o valor do empréstimo contratualizado.

A utilidade de um raciocínio em termos de opções de venda reside no facto da ciência económica já conhecer muitas das propriedades que determinam o seu valor. Este será:

  • uma função convexa do preço do activo subjacente;
  • crescente com a volatilidade do activo subjacente;

Com estas duas propriedades conseguem-se – pelo menos parcialmente – obter explicações sobre as rápidas a queda abrupta dos activos no sistema financeiro, o disparo no preço do risco, e a falha nas previsão dos modelos de avaliação de risco utilizados pelos bancos.

Mas o melhor será mesmo ver a clarividente explicações do próprio Robert Merton no seguinte vídeo.

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