“Parem de escavar” foi uma afirmação que o ex primeiro-ministro que levou o país à bancarrota, José Sócrates, repetiu por várias vezes numa das suas últimas aparições televisivas. A ideia é a de que o controlo orçamental do actual governo é contraproducente na medida em que a contracção do produto induzida pela austeridade acaba por penalizar as finanças públicas. Este pseudo-Keynesianismo defende que uma contracção do consumo público faz com que parte das parcas empresas que ainda produzem percam o seu rendimento (já que a despesa de um agente é o rendimento de outro), obrigando-as a contrair as suas actividades com despedimento de pessoal. Como esses novos desempregados veem-se sem rendimento, então terão de reduzir o seu próprio consumo que forçará outras empresas a reduzir actividades. Neste fenómeno circular a redução inicial da despesa do estado provoca uma contracção final do PIB. A isto chamam os economistas de efeito multiplicador – por ex., com um multiplicador de 1.2, uma redução do consumo público em 1 milhão de euros reduz o PIB em 1.2 milhões de euros (sobre a credibilidade destas teorías já escrevi anteriormente: 1,2).
A teoria económica de Sócrates leva esta ideia ao extremo a afirma que a recessão induzida é de tal ordem grande que a redução nos impostos arrecadados acaba por ser superior à redução da despesa pública; isto causa um agravamento ao défice orçamental (precisamente o inverso do objectivo da política original). A partir daqui, é fácil concluir que o contrário também deverá ser verdade: aumentar a despesa pública reduz o défice. Algo que poderia ser catalogado de despesismo economomizante. Na realidade alguns dos discípulos intelectuais de José Sócrates têm defendido isto mesmo: por exemplo João Galamba ou João Pinto e Castro. A questão que se segue é a seguinte: não estarão Sócrates e seus discípulos a extremar demais uma teoría já de si desacreditada quando defendem o despesismo economizante? A resposta curta é: claro que sim e muito!
Represente-se por
Aplicando a ideia Keynesiana de que os impostos líquidos são uma função do PIB do tipo
Por palavras, o multiplicador