Ruptura de Paradigmas – Imperfect Knowledge Economics

Imperfect Knowledge Economics” tem sido o livro controverso do momento no seio da ciência económica. A pretensão deste texto é nada mais que destruir a ortodoxia actual da ciência económica, na mesma tradição com que Smith arrasou com os mercantilistas, Menger com os clássicos, Keynes com os austríacos e Lucas com os keynesianos. Frydman e Goldberg pretendem tornar os economistas neoclássicos numa espécie em vias de extinção.

Este livro crítica fortemente o paradigma actual da ciência económica que se baseia na teoria das expectativas racionais. Esta teoria assume que as expectativas dos agentes económicos sobre o futuro estão em média correctas, ou seja as suas previsões sobre o futuro são na média não enviesadas. Através de modelos económicos, torna-se “teoricamente” possível fazer previsões mecânicas do comportamento racional. Ao proceder desta maneira os modelos retiram das suas equações a inovação, o empreendedorismo e a criatividade dos agentes económicos. A teoria não admite desequilíbrios e o equilíbrio pode ser sempre calculado matematicamente. Levanta-se a questão natural que se for possível replicar as alocações de mercado através de modelos matemáticos, o mercado como instituição deixa de ter qualquer interesse na determinação dos preços (de facto esta lógica foi aplicada recentemente na utilização de modelos matemáticos pelas agencias de rating para determinar o risco e preço de certos produtos estruturados).

A conceito fundamental da argumentação de Frydman e Godberg é incerteza. Essa incerteza não pode ser modelada pois não se pode calcular de forma exacta o impacto decisões que vão afectar o futuro, simplesmente porque a base desse cálculo ainda não existe. Um agente económico racional estará ciente desta incerteza sistémica e como tal não terá “expectativas racionais”. O melhor que este tem a fazer é basear a sua decisão em regularidades qualitativas e padrões históricos. A experiência é extremamente relevante para a intuição dos empreendedores. Esta tese dá um novo fôlego à importância dada por Keynes e Hayek à decisão individual e ao seu contributo social.

As críticas recentes da imprensa económica como o The Economist e o Financial Times têm sido até agora favoráveis. No entanto estas ideias ainda não foram debatidas com profundidade na comunidade académica. Existe sempre algum receio (custo de oportunidade do tempo perdido) de novos investigadores se debruçarem sobre temas que possam gerar ruptura. Para já, entre alguns economistas reputados, existe uma opinião favorável deste livro nomeadamente Kenneth Arrow e Edmund Phelps. Este último assina o prefácio desta tese consultável aqui. Comentários inspiradores do próprio Frydman sobre o livro (em que este convincentemente afirma que Bob Lucas errou) podem ser ouvidos neste podcast.

Este é um livro que ainda não tive oportunidade de ler. No entanto as expectativas geradas em seu torno são elevadas. Esperam-se novos comentários futuros para este blog.

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