Explicação do Quantitative Easing: Duas Versões

Há actualmente um intenso debate nos EUA sobre o interesse de um nova ronda de politicas monetárias por parte do da Reserva Federal. Em particular discute-se muito a segunda vaga de facilitação quantitativa denominada como QE2 (quantitative easing 2 – aparentemente pronuncia-se como “quiuitue”). Esta é uma política económica não convencional e que não é conhecida pela maior parte das pessoas. Explorando esses desconhecimentos, explicações dúbias são normalmente aceites como válidas. Um exemplo refere-se à popularização de uma animação explicando afinal o que é o quantitative easing (ex Forbes, Zero Hedge, e Real Clear Politics). Não me parece que esse vídeo tenha sido escrito por nenhum economista. É portanto a versão labrega da explicação sobre a política do banco central. Há também uma versão do mesmo vídeo, mas escrita por um economista. Esta será a versão ponderada da explicação. Feita esta nota introdutória, deixo-vos as duas diferentes  animações que pretendem esclarecer o quantitative easing:

versão labrega

versão ponderada por James Hamilton

Publicado em Economia | 1 Comentário

Lionel Mckenzie 1919-2010

Lionel Mckenzie, um dos mais proeminentes fundadores da teoria económica moderna, faleceu esta manhã com a idade de 91 anos. Lionel foi obviamente responsável pelo desenvolvimento de muitos dos fundamentos da teoria de equilíbrio geral, em particular sobre a existência e percursos óptimos de crescimento. Sendo um economista altamente prolífico, teve ainda importantes contributos em muitas outras áreas da ciência económica. Durante a sua carreira recebeu inúmeros prémios e honras. Foi também o fundador do Departamento de Economia da Universidade de Rochester tendo acompanhado e treinado inúmeros economistas que prestaram enormes contributos para a sociedade. O nome de Mckenzie é particularmente reconhecido no Japão por isso mesmo. Um dia de pesar para a Economia.

(O marginal revolution contém uma pequena biografia de Lionel Mckenzie com algumas ligações).

Lionel Mckenzie na primeira posição do lado direito na Universidade de Rochester durante os anos 50.
Publicado em Economia | Publicar um comentário

Dívida pública portuguesa: comparação internacional e o acto de fiar

Para uma melhor compreensão das dinâmicas internacionais relativamente a défices orçamentais e dívidas públicas deixo aqui dois gráficos.

O primeiro gráfico indica a evolução recente das finanças públicas de um grupo de países. À primeira vista Portugal não parece estar  mal enquadrado. Atente-se no entanto que os números entre parênteses indicam o crescimento médio do PIB na última década. Certamente que este péssimo desempenho económico deverá estar a funcionar como um primeiro sinal de preocupação dos credores internacionais.

Fonte: Fed de St. Louis

Mas há ainda mais e pior. Utilizando as previsões dos economistas do BPI – que apresentaram uma estimativa para a ‘dívida consolidada’ (acrescentam a dívida de empresas do estado, de municípios, e de regiões autónomas) – podemos desenhar o segundo gráfico. Este induziria qualquer pessoa a verbalizar a seguinte reacção: – Queres fiado? Toma!

A linha a vermelho foi adicionada por mim. Baseia-se nas estimativas do bpi e assume uma ‘dívida pública consolidada’ de 60% do pib em 2006 (atente-se que o tal estudo do bpi apontava ainda para uma dívida pública de 135% do pib em 2013)
Publicado em Economia | 1 Comentário

Expectativa para o prémio Nobel em economia – 2011

Thomas Schelling and Robert Aumann, Photo: Henrik Montgomery, Copyright © Scanpix"
Robert Aumann e Thomas Schelling laureados de 2005 (imagem aqui)

Logo para começar, este não se trata de um prémio Nobel convencional, mas de um cedido pelo banco central da Suécia em memória de Alfred Nobel. Este somente começou a ser atribuído em 1969 com os merecidos premiados Ragnar Frisch e Jan Tinbergen.

No entanto, e principalmente com a descontinuação da medalha de Walker, o Nobel em Economia é um dos mais prestigiados prémios na profissão.

Dia 11 de Outubro serão anunciados os premiados para o ano de 2010. Já existe alguma especulação sobre quem será distinguido (aqui). Na minha própria opinião, o prémio deverá ser atribuído a alguém na macroeconomia já que o padrão histórico recente sugere uma alternância anual entre este campo e a macroeconomia/econometria. Neste sentido, não consigo pensar em melhores candidatos do que o trio Sargent, Sims, e Hansen pelas suas enormes e influentes contribuições na macroeconomia (expectativas racionais e aprendizagem) e econometria (GMM e VAR). Dada a corrente crise financeira, nomes como Kyotaki e Moore terão um ímpeto natural no comité de avaliação. No entanto, não me parecem tão influentes.

Mesmo que esta previsão não se concretize este ano, Sargent, Sims e Hansen serão candidatos naturais para os próximos anos. Esperemos para ver a 11 de Outubro.

Mais alguém se atreve a previsões?

Publicado em Economia | 3 Comentários

Robert Merton sobre a crise financeira

O economista laureado Robert Merton utiliza as ferramentas da teoria financeira moderna – que o próprio também desenvolveu – para perceber algumas das dinâmicas mais inesperadas da corrente crise económica e subsequente propagação para as instituições financeiras: porque é que o risco de mercado cresceu de uma forma muito acentuada(?); qual a razão das perdas colossais e continuadas dos agentes financeiros(?); como é que modelos de avaliação de risco tipicamente utilizados (VaR) falharam tão notavelmente (?).

Para simplificar a resposta a tais questões, Merton utiliza a seguinte decomposição dos activos arriscados detidos pelos bancos (créditos hipotecários):

activo sem risco (asr) = activo com risco (ar) + garantia sobre activo (g)

<=>        ar = ars – g

Significa isto que a aquisição de activos (empréstimos) pelos bancos pode ser decomposta em duas partes: aquisição de um activo sem risco (empréstimo ao governo dos EUA), e alienação de uma garantia sobre esse activo. A parte interessante desta analogia é que uma garantia nada mais é do que uma opção de venda sobre o valor de um determinado activo que funcione como colateral no empréstimo. Portanto, se o preço de um activo for inferior ao preço contratualizado, então a opção terá o valor correspondente à diferença entre esses dois preços. No exemplo de um empréstimo para uma habitação, esta garantia significa que, em caso de incumprimento, o banco terá de pagar a diferença entre o valor de mercado do imóvel (que será penhorado e vendido) e o valor do empréstimo contratualizado.

A utilidade de um raciocínio em termos de opções de venda reside no facto da ciência económica já conhecer muitas das propriedades que determinam o seu valor. Este será:

  • uma função convexa do preço do activo subjacente;
  • crescente com a volatilidade do activo subjacente;

Com estas duas propriedades conseguem-se – pelo menos parcialmente – obter explicações sobre as rápidas a queda abrupta dos activos no sistema financeiro, o disparo no preço do risco, e a falha nas previsão dos modelos de avaliação de risco utilizados pelos bancos.

Mas o melhor será mesmo ver a clarividente explicações do próprio Robert Merton no seguinte vídeo.

Publicado em Economia | Publicar um comentário

Incoerência dos cépticos aos estímulos fiscais?

Paul Krugman desafia os críticos aos planos de estímulo fiscais a justificarem a coerência de suas posições:

(…) Which then raises the question: how can you believe that, and not also believe that if the U.S. government were to borrow some of the cash corporations aren’t spending, and spend it on, say, public works, this would also create jobs?….

I have never seen a coherent objection to this line of argument. (…)

Ao que Mankiw responde o seguinte:

“(…) A coherent objection to this line of argument might be the following: If the government borrowed the money to spend, it would need to eventually pay the money back. That means higher future taxes, on top of the future tax increases that President Obama already will need to impose to finance his spending plans. Higher future taxes reduce demand today for at least a couple reasons. First, there are Ricardian effects to the extent that consumers take future taxes into account when calculating their permanent income. Second, those future taxes are not likely to be lump-sum but will be distortionary; it is plausible that at least some of those future tax distortions may adversely affect the incentive to invest today (…)”

E que vai precisamente no sentido do que foi defendido neste blogue à um ano atrás (Efeito crowding out em sentido lato):

“(…) um aumento temporário da despesa pública implica um aumento da dívida pública e como tal um aumento da tributação fiscal no futuro. O problema dessa tributação é que não há muitos impostos lump sum. Ou seja, é provável que o aumento futuro da carga fiscal venha a incidir sobre o rendimento, em particular no rendimento do capital. Mas uma taxa de imposto esperada mais elevada levará a que a taxa de retorno esperada de um investimento corrente passe a ser mais baixa. Ou seja, a procura por investimentos correntes diminui e recuperamos de novo o efeito crowding out (e nem estamos a considerar aqui outros efeitos negativos no consumo relacionados com a equivalência Ricardiana). (…)”

É caso para afirmar que o Prof. Krugman terá de se esforçar um pouco mais para encontrar posições contrárias, mas coerentes, das suas ideias.

Which then raises the question: how can you believe that, and not also believe that if the U.S. government were to borrow some of the cash corporations aren’t spending, and spend it on, say, public works, this would also create jobs?….

I have never seen a coherent objection to this line of argument.

Publicado em Economia | Tags , | 4 Comentários

Islândia e Irlanda no impacto da crise

Como já vem sendo habitual, a amplificação pelo blogue Ladrões de Bicicletas de um artigo de Paul Krugman apresenta uma mera meia-verdade. O autor congratula a eficácia das políticas económicas (identificando-as como desvalorização cambial e controlo de movimento de capitais)  na Islândia para saída da crise em que mergulhou desde 2007. Para corroborar a sua tese, apresenta dois gráficos que aqui replico utilizando o 3º trimestre de 2007 como ano de base – o artigo original utiliza o 4º trimestre.

(fonte: Eurostat, PIB a divisa doméstica constante de 2000)
(fonte: Eurostat)

A comparação intencional com países que encetaram duros pacotes de austeridade económica parece implicar que este tipo de políticas são desadequadas face àquelas mais Keynesianas, de forte incentivo à despesa. Esta é claramente uma implicação que não se pode retirar destes gráficos.

Em primeiro lugar, julgar que a Islândia não implementou medidas de austeridade é um erro. A sua política económica está a ser fortemente deflacionista: o governo não pára de cortar em serviços e gastos públicos para além das reduções salariais dos funcionários públicos. No entanto, esta contracção do país poderia ter sido bastante pior. Lembremo-nos que no início da crise o FMI cedeu mais de $2 biliões para almofadar as necessidades de financiamento do exterior da Islândia e, para além do mais, não exigiu medidas de restrição orçamental permitindo que os estabilizadores automáticos amparassem a economia. Nenhum dos restantes países representados nos gráficos teve ajudas externas em condições tão favoráveis.

Em segundo lugar, antes de se afirmar “antes a Islândia que a Irlanda“, deve-se tentar perceber a fonte dos desequilíbrios da economia e sobre quem recairá o esforço de ajustamento. Na primeira metade da década a Islândia iniciou um claro desvio entre aquilo que consumia e aquilo que produzia – as suas necessidades de financiamento no exterior atingiram quase 25% do PIB em 2006. Para além do mais, a insistência das autoridades na manutenção de uma taxa de cambio fixa em relação ao Euro só veio agravar a situação.

(fonte: Eurostat, saldo da conta corrente e de capital)

Em consequência, o inevitável ajustamento desta economia veio a sentir-se principalmente numa queda abrupta do consumo das famílias via a redução igualmente abrupta das importações.

(fonte: Eurostat, PIB a divisa doméstica constante de 2000)
(fonte: Eurostat, PIB a divisa doméstica constante de 2000)

Deste ponto de vista o desempenho económico islandês já não parece tão superior em relação aos demais. Em última instância, a actividade económica tem como objectivo o consumo das famílias. E esse consumo caiu enormemente na Islândia o que, numa situação em que as poupanças foram dizimadas por quedas de mais de 90% no mercado accionista e de 50% no valor das habitações, penalizou fortemente as famílias. Finalmente convém também perceber que o principal esforço deste ajustamento está a incidir precisamente nos mais pobres e desfavorecidos. Note-se que a Islândia tem de importar uma grande parte dos seus alimentos. Assim foram as famílias mais pobres, onde a alimentação representa a principal fatia do seu orçamento, que sentiram mais penosamente uma duplicação dos preços nos supermercados quando a Krona desvalorizou 50% face ao Euro. Nesta situação não é a distribuição do rendimento que é mais importante, mas antes a distribuição do consumo.

Claro que há sempre países em piores circunstâncias. Mas dificilmente poderemos considerar a Islândia como melhor que a Irlanda ou que o pós-crise está a ser um milagre apenas porque alguns indicadores aparentam bons resultados.

Publicado em Economia | Tags , | 3 Comentários

Classificação de blogues económicos

Os 20 blogues de economia mais citados (ranking pelo Palgrave Econolog)

1 Marginal Revolution
2 Paul Krugman
3 Economix
4 Econbrowser
5 Free exchange
6 DealBook
7 naked capitalism
8 Worthwhile Canadian Initiative
9 CARPE DIEM
10 EconTalk
11 Interfluidity
12 Aid Watch
13 Director’s Blog
14 Rajiv Sethi
15 The Financial Page
16 Democracy in America
17 Environmental Economics
18 Freakonomics
19 TaxProf Blog
20 Cheap Talk

(mais critérios de ordenação podem ser encontrados aqui)

Publicado em Economia | Tags , | Publicar um comentário

Gráfico do dia

Retirado do Free Exchange, deixo aqui um gráfico com os cenários de evolução a longo prazo das finanças públicas nos EUA realizados pelo Congressional Budget Office (como seria bom se a homóloga Portuguesa, a Unidade Técnica de Apoio Orçamental, tivesse 1/20 desta qualidade).

Primeiro Cenário: inclui o fim da redução fiscal da administração Bush e uma subida progressiva do peso da carga fiscal:

fonte: CBO

Segundo cenário: estabilização da receita fiscal em proporção do PIB:

fonte: CBO

Evolução da dívida pública nos EUA (a caminho de serem um Japão?):

fonte: CBO
Publicado em Economia | Tags , | Publicar um comentário

Proteccionismo? Não obrigado.

Numa entrevista para o programa Agora a Sério, vejo Rui Tavares a ter um discurso já habitual. O tom pode ser classificado como de manifesto. O objectivo é a transmissão pelo emissor da repugnância causada pelas injustiças sociais que envenenam o mundo, hoje, globalizado. Contudo, descontados os sofismas de tal retórica, e analisadas as implicações sociais do que por vezes é defendido, descobrem-se posições que simplesmente contradizem o propósito do discurso. Isto é, posições que são repugnantes defesas da miséria social.

Numa resposta a uma questão, Rui Tavares insurge-se contra a passividade da União Europeia sobre a admissão da China na Organização Mundial do Comércio. Refere que a abertura dos mercados europeus às exportações chinesas só deveria ter acontecido se o gigante assiático terminasse com o “dumping social”. Ou seja, antes de entrar nos mercados internacionais, governo chinês deveria conceder direitos de “associação sindical”, permitir o direito “à greve”, “subir [administrativamente] salários”, e conceder “leis de protecção do trabalho”. Chega mesmo a utilizar as seguintes palavras – “estamos a competir com a escravatura”. Enfim, Rui Tavares defende que a China deveria manter-se economicamente isolada até que o governo implementasse medidas de valorização dos trabalhadores de acordo com um padrão de exigência europeu.

Posições deste género são apenas autistas. Lembram-me sempre de um célebre artigo de Paul Krugman em que este refere a Montanha Fumegante nas Filipinas. Neste local, milhares de homens, mulheres, e crianças reúnem-se diariamente para vasculhar uma gigantesca lixeira com o objectivo de reunir alguns materiais reutilizáveis que garantam a sua sobrevivência através da sua posterior revenda. Esta degradante imagem da condição humana é usada por Krugman precisamente para por em perspectiva a “escravatura” e o “dumping social” dos trabalhadores em multinacionais localizadas em países subdesenvolvidos.

A questão essencial para essas pessoas é a de alternativa. O trabalho em empresas multinacionais exportadoras de tshirts ou sapatilhas pode parecer mau na perspectiva de um ocidental. No acto de compra de uma tshirt ou sapatilhas, ninguém gosta de ser conivente com situações de produção com baixos salários, longas horas, ou trabalho infantil. Mas a alternativa para essas pessoas é entre deter esse mesmo trabalho que pode parecer mau ou ir vasculhar escória em lixeiras.

Pretender, como pretende Rui Tavares, que se dê acesso aos mercados internacionais apenas a países que obedeçam às leis de protecção do trabalho europeias, é retirar aos países mais pobres a sua única possibilidade de competirem e exportarem. Não nos esqueçamos que os países mais avançados detêm já um conjunto de vantagens históricas: mercados vastos, estabilidade institucional, qualidade de infra-estruturas e recursos humanos. No entanto, um conjunto de avanços tecnológicos (redução de custos de transporte e comunicação) possibilitou que a partir dos anos 70, mesmo com todas as desvantagens inerentes, países subdesenvolvidos pudessem desfrutar dos ganhos da globalização. Ganhos esses que não se esgotam numa melhor afectação dos recursos existentes, derivada dos benefícios mútuos da utilização de vantagens comparativas. Os principais ganhos da globalização para países de baixos salários reside na transferência de capital, tecnologia, e ideias que o comércio internacional com países de elevados salários necessariamente acarreta. É assim desejável que os países se mantenham abertos e que afastem qualquer tipo de ímpeto proteccionista.

O que Rui Tavares se terá esquecido durante a sua intervenção é que, durante o período de 1990 e 2005, a China conseguiu manter uma taxa de crescimento do PIB per capita nuns impressionantes 8.7%. Ao mesmo tempo, a taxa de pobreza diminuiu de 85 para 15% (aproximadamente 600 milhões de pessoas – fonte). Foram estes os benefícios da abertura da China face ao resto do mundo. De facto, os benefícios da abertura dos países ao exterior são realidades bem documentadas e estudadas. Sachs e Warner, dividindo os países do mundo entre abertos e fechados (utilizando critérios convencionais), observam que economias abertas têm, por regra, taxas de crescimento bastante superiores às das economias fechadas (ver gráfico abaixo).

É assim impossível defender posições como as de Rui Tavares na sua entrevista: uma defesa do proteccionismo e da regressão da globalização. No entanto, esses argumentos facilmente criticáveis são  frequentemente utilizados. Acredito que a principal razão para isso seja apenas preguiça intelectual. Ou não estivesse em causa o bem-estar de milhões de pessoas…

lucas2
Fonte: Robert Lucas (2007), 'Trade and Diffusion of the Industrial Revolution'

 http://farm4.static.flickr.com/3635/3345904364_a334ec810f.jpg
Smokey Mountain: que bela alternativa à globalização...
Publicado em Economia | Tags , | 3 Comentários

Mercado de Hiperligações

Ligações recomendadas para outros blogues:

Publicado em Economia | Tags | Publicar um comentário

OECD Factbook

Qual é a taxa de população com mais de 65 anos em Portugal? E a taxa de crescimento da nossa economia na última década? Contribuições das energias renováveis na produção eléctrica? Desemprego de longa duração no total dos desempregados? Resultados em testes normalizados na área das ciências? Taxa de mortalidade nas estradas? Taxa de suicídio? Evolução histórica de todos estes indicadores? E como é que Portugal fica ao lado dos outros países?

Questões como estas – e muito outras – têm agora uma resposta fácil através do OECD Factbook que está recentemente online e completamente gratuito. Este inclui um variado leque de base de dadosgráficos interactivos. Tem ainda uma espectacular aplicação para smartphones (iphone).

Ficarei agora à espera de uma versão equivalente da Pordata.

Publicado em Economia | Tags | Publicar um comentário

Regras para ajudar os países subdesenvolvidos

No seu excelente blogue sobre desenvolvimento económico, o economista William Easterly tem vindo a esclarecer um público alargado sobre alguns dos efeitos perversos que as ajudas internacionais podem provocar em países pobres. Por exemplo, desde os anos 60 que países africanos já receberam mais de 1 trilião de dólares em ajudas sem os efeitos que esperaríamos.

Num recente comentário, este menciona algumas regras para que as ajudas internacionais tenham mais sentido (inspiradas num qualquer livro de texto de comércio internacional). Aqui fica a transcrição das 5 regras:

  1. Don’t trade low value items with huge transport costs. No exporter or importer in their right mind would ship bulky low-value items large distances, which is why things like construction materials are often locally-sourced. Aid examples: Nobody wants your old shoes, 1 million shirts.
  2. Don’t send coals to Newcastle. Nobody exports food to a food-abundant region. Well nobody but US food aid, which ships food from Nebraska to the Horn of Africa, when there is plenty of food already in the region (it’s just badly distributed inside the region, which is what wise food aid could correct).
  3. Don’t do dumping; it is illegal. Exporters are not supposed to charge a much lower price abroad than they do domestically, driving local producers out of business – that’s called dumping, and it’s illegal under WTO rules. Wait, unless the dumper is USAID and it’s called food aid. Actually, US food aid violates all of these first three principles.
  4. Do export goods intensive in abundant resources; don’t export goods intensive in scarce resources. Many aid projects designed to promote poor country exports in a promising product violate this rule when they make the project dependent on the scarce and expensive resource called International Expertise. Small-scale handicraft projects heavily dependent on foreign experts are particularly gross violators.Actually, ANY aid project should be designed to maximize use of abundant resources and minimize use of scarce resources. This is one of the defects of the Millennium Village approach – it’s intensive in the use of expensive foreign expertise, and so is not scalable.
  5. The most gains from trade come when something is cheap in the exporting country and expensive in the importing country. Thank goodness the US does not try to grow its own bananas at some enormous expense, when they are cheaply bought from Central America and Colombia. Antibiotics can be cheaply made in rich countries but would be very expensive to produce in African countries, which is why aid projects that provide antibiotics cheaply make a lot of sense (actually private trade in antibiotics happens for the same reason, but doesn’t reach the poorest of the poor). Antiretroviral drugs, unfortunately, are expensive in the exporting country, so they are not as good an aid deal as antibiotics.

1) Don’t trade low value items with huge transport costs. No exporter or importer in their right mind would ship bulky low-value items large distances, which is why things like construction materials are often locally-sourced. Aid examples: Nobody wants your old shoes, 1 million shirts.

2) Don’t send coals to Newcastle. Nobody exports food to a food-abundant region. Well nobody but US food aid, which ships food from Nebraska to the Horn of Africa, when there is plenty of food already in the region (it’s just badly distributed inside the region, which is what wise food aid could correct).

3) Don’t do dumping; it is illegal. Exporters are not supposed to charge a much lower price abroad than they do domestically, driving local producers out of business – that’s called dumping, and it’s illegal under WTO rules. Wait, unless the dumper is USAID and it’s called food aid. Actually, US food aid violates all of these first three principles.

4) Do export goods intensive in abundant resources; don’t export goods intensive in scarce resources. Many aid projects designed to promote poor country exports in a promising product violate this rule when they make the project dependent on the scarce and expensive resource called International Expertise. Small-scale handicraft projects heavily dependent on foreign experts are particularly gross violators.

Actually, ANY aid project should be designed to maximize use of abundant resources and minimize use of scarce resources. This is one of the defects of the Millennium Village approach – it’s intensive in the use of expensive foreign expertise, and so is not scalable.

5) The most gains from trade come when something is cheap in the exporting country and expensive in the importing country. Thank goodness the US does not try to grow its own bananas at some enormous expense, when they are cheaply bought from Central America and Colombia. Antibiotics can be cheaply made in rich countries but would be very expensive to produce in African countries, which is why aid projects that provide antibiotics cheaply make a lot of sense (actually private trade in antibiotics happens for the same reason, but doesn’t reach the poorest of the poor). Antiretroviral drugs, unfortunately, are expensive in the exporting country, so they are not as good an aid deal as antibiotics.

Publicado em Economia | Tags , | Publicar um comentário

Caricatura à política keynesiana de obras públicas

Um dos principais objectivos dos pacotes de estímulo orçamental é a mobilização de recursos não utilizados de uma economia e, no caso da deflação ser considerada como um problema, evitar uma queda de preços. Uma questão que pode ser colocada será: – mas haverá espaço nesse plano para obras públicas completamente desnecessárias? Ora vejamos o que o próprio Keynes refere no seu precursor livro de macroeconomia:

“‘To dig holes in the ground’, paid for out of savings, will increase, not only employment, but the real national dividend of useful goods and services.”

Apesar de uma ressalva explicitada por Keynes mais adiante nesse livro, a ideia fundamental é que a produtividade inerente da obra pública não é o importante, mas sim a sua execução. No entanto, perante um risco de queda de preços podemos mesmo ir mais longe: a política de estímulo económico deve ser em obras públicas inúteis – elefantes brancos ou abrir buracos no chão.

A justificação para esta tese caricata é muito simples. O investimento público em projectos produtivos aumenta a oferta agregada de uma economia. Isto impede que políticas com o objectivo de manutenção de preços elevados tenham os resultados previstos. Assim o investimento, por exemplo, num mausoléu terá como benefício o emprego de trabalhadores, dificultando a sua contratação por empresas privadas e, assim, sustentando os salários – e por arrasto o preço de outros bens – num nível mais elevado. Já o investimento em projectos produtivos terá o perverso efeito de reduzir os custos de actividade dos agentes económicos com a subsequente pressão deflacionária no nível geral de preços.

Podemos assim compreender melhor as políticas de obras públicas do actual governo português – hoje adiadas por motivos de força maior:

  • terceira autoestrada paralela Porto-Lisboa
  • autoestrada Beja-Sines
  • TGV do Poceirão a Caia
  • terceira travessia sobre o Tejo (de preferência para um deserto)

E para finalizar deixo aqui outros exemplos – para serem utilizados por um qualquer governo – de bons investimentos públicos compilados por Sala-i-Martin:

(claro que neste artigo estou a tentar ser irónico; para uma discussão mais séria sobre efeitos de política orçamental ver aqui)

Publicado em Economia | Tags , | 2 Comentários

Mercado de hiperligações

Ligações recomendadas para outros blogues:

  • Em defesa de Luís Amado: Campos e Cunha no blogue da sedes defende o debate sobre a limitação constitucional ao endividamento do governo
  • Free market forces or central government: uma comparação entre as previsões dos mercados de apostas e do sistema de ranking da FIFA para o campeonato do mundo de futebol por Luís Cabral
  • Do optimismo (1): o artigo de Cavaco Silva sobre a boa e má moeda continua a inspirar comentários. Aqui por Passos Rocha (outros exemplos: 1, 2)
  • 700000 new emigrants: no The Portuguese Economy, Álvaro Santos Pereira discute a forte dinâmica de emigração que Portugal atravessa actualmente
  • Bloomberg on the economy: 2 destaques no podcast de Tom Keene: entrevista a Luigi Zingales, professor de economia de Chicago; e a Papandreou, primeiro ministro da Grécia.
Publicado em Economia | Tags | Publicar um comentário

Moeda, poupança, e confusões económicas – poupança e crescimento (III)

Mas afinal qual é o papel da poupança no crescimento económico? E será possível gerar crescimento económico sem poupança? A resposta a esta última questão é negativa (aqui temos alguém a argumentar o contrário). Sem poupança não há crescimento. Deste modo, qualquer política que tenha como consequência o estímulo do consumo deve ser evitada, se não for devidamente fundamentada. A razão é que a existência de poupança é condição necessária para a existência de crescimento económico.

Convém, no entanto, definir poupança antes de demonstrarmos esta última afirmação. A poupança é a componente complementar do consumo no rendimento. Por outras palavras, é a parte do rendimento que não é consumido imediatamente. Mas sendo os seres humanos criaturas insaciáveis, essa redução de redução do consumo por via da poupança tem de ser compensada com um aumento do consumo futuro mais ou menos longínquo, consoante a paciência de cada um.

Feita esta definição, pensemos nos factores de produção de uma economia. Tradicionalmente os economistas consideram o trabalho e o capital físico como sendo os factores fundamentais. Devemos ter em consideração que o factor trabalho pode ser considerado como outro tipo de capital: capital humano. Isto deriva de que parecem não existir limites importantes à acumulação deste. Para simplificar a nossa análise, consideremos então que o único factor de produção numa economia é uma versão agregada de capital: que inclua uma componente física e outra humana (se quisermos pensar noutros factores reprodutíveis como tecnologia, também a podemos incluir neste agregado).

A aplicação deste capital (maquinaria, homens, e tecnologia) no sistema produtivo é patente de gerar rendimento – o PIB de uma economia. A utilização deste capital, implica também a depreciação deste (maquinas que ficam danificadas com o tempo e pessoas que vão perdendo as suas capacidades e energia). Com o rendimento gerado, as famílias, como detentoras últimas do capital, poder-lo-ão aplicar em bens de consumo: por exemplo comida,  férias, obras de arte, etc.. Ou então, poderão poupar parte do seu rendimento para a aplicação em bens de capital (produção de máquinas, educação, e desenvolvimento de tecnologia). Se o nível de poupança for suficientemente elevado para compensar a depreciação do capital e o crescimento da população, então teremos crescimento económico. Isto é, teremos de ter um investimento suficientemente forte em capital – induzido pela poupança -, para que a posição final deste seja superior à do período anterior. O rendimento gerado por este investimento será cada vez maior e conseguirá sustentar indefinidamente o crescimento económico. Isto acontece já que máquinas cada vez mais sofisticadas requerem a utilização de profissionais cada vez mais sofisticados e vice-versa. A acumulação continuará ad eternum neste processo linear.

Com esta explicação torna-se fácil de compreender qual seria o resultado se, numa situação hipotética, um governo decretasse o fim da poupança. Todo o rendimento de uma economia seria canalizado para bens de consumo. Os primeiros anos de tal política poderiam ser bastante agradáveis: teríamos cozinhados gourmet, regados com vinho dos melhores anos; férias 3 meses por ano passadas em luxuosos SPAs, a idade da reforma passaria para os 45 anos; as crianças não teriam de estudar mais, estando apenas encarregadas de consumirem boa disposição e brincadeira; os cientistas e investigadores académicos transformariam os seus laboratórios em museus de contemplação. Mas enquanto este paraíso subsistisse, as casas começariam a ruir, os técnicos e operadores de máquinas não teriam aprendizes para os substituir (lembremos que a educação não existe numa sociedade sem poupança), os instrumentos mecânicos ficariam ferrugentos. Enfim, em menos de uma década regressaríamos à pujança consumidora de uma sociedade de Cro-Magnons.

Fica assim demonstrada a importância da poupança no crescimento económico. Convém, no entanto, realçar que a poupança não é o único factor determinante do crescimento: outros elementos podem também deter o crescimento económico (veja-se esta discussão). O que não poderemos ter de certeza é crescimento sem poupança (ou esforço, ou paciência). Esta é a noção fundamental a ter-se em mente quando alguém tenta defender a redução da poupança como uma virtude.

(para facilitar a leitura desta reflexão, este comentário será dividido em 3 partes: I, II, III)

Publicado em Economia | Tags , | 5 Comentários

Moeda, poupança, e confusões económicas – o paradoxo da poupança (II)

Convém referir que aquilo que Keynes baptizou de paradoxo da poupança, resulta da peculiaridade da moeda numa economia de trocas. Este paradoxo deriva da possibilidade da ocorrência de um excesso de procura de liquidez, que pode ser persistente apenas pelo facto da moeda ser um meio utilizado para transacções. Para evidenciar isto, substituamos moeda por outro tipo de ‘poupança’, por exemplo jóias ou casas, e vejamos o que ocorreria numa economia hipotética.

Assim, o que é que eu poderia fazer se a minha posição desejada de jóias aumentasse? Essencialmente, teria uma única solução: comprar mais jóias no mercado. No entanto esta solução pode falhar se eu não encontrar nenhum vendedor disponível no mercado. Neste caso, o meu excesso de procura por jóias dissipa-se e o mercado regressa ao equilíbrio inicial (ou o preço por jóias aumenta equilibrando o mercado num nível de transacções diferente).

Com moeda, temos de considerar a peculiaridade desta ser um meio de troca e desta se encontrar sistematicamente a fluir para dentro e fora dos cofres dos agentes económicos. Se eu desejar aumentar a minha posição em moeda, e se ainda assim, não conseguir comprar moeda no mercado (ou vender quaisquer outras coisas) tenho sempre a opção de vender menos moeda (ou comprar menos de quaisquer outras coisas). Esta última opção depende apenas de mim e não de um parceiro disponível para transaccionar. Como tal, não pode falhar. Pelo menos, se eu agir individualmente. Poderá no entanto falhar se todos agirem da mesma maneira.

Suponhamos então que todos os agentes de uma economia estão com um excesso de procura por moeda. Se estes utilizarem a primeira opção acima descrita vão falhar directamente porque não vão encontrar vendedores disponíveis de moeda. A resolução deste excesso de procura ocorrerá por uma de duas maneiras: ou o preço da moeda sobe (preço de todos os outros bens decai, ie., deflação) ou então os agentes tentarão satisfazer o seu excesso de procura por outra via qualquer. Naturalmente que a segunda opção será tentada – decisão individual de vender menos moeda. No entanto a agregação de todos os agentes implica também que a segunda opção falhará. Isto acontece porque a redução do fluxo de saída de moeda de uma pessoa é a redução do fluxo de entrada de outra. Mas como esta opção resulta de uma escolha unilateral, os agentes continuarão a tentar satisfazer o seu excesso de procura de moeda vendendo menos moeda, ie, comprando menos bens. Esta persistência continuará até que o rendimento nacional decresça o suficiente para satisfazer o balanço de moeda dos agentes.

E esta é a essência do paradoxo da poupança de Keynes. Note-se no entanto na confusão que a palavra ‘poupança’ pode causar. Do ponto de vista da contabilidade nacional, ‘poupança’ refere-se à parte do rendimento em bens produzidos que não é despendida em bens de consumo. No entanto a história contada acima refere que, para haver um paradoxo de poupança, é necessário que essa ‘poupança’ seja afectada para liquidez, isto é, moeda. Por exemplo, a deslocação da procura das famílias de bens de consumo para bens de capital, representa um aumento da poupança desejada mas não causará nenhum paradoxo da poupança. Mas a deslocação da procura de bens de consumo para a detenção de meios de liquidez, representa um aumento da procura de poupança desejada que causará um decréscimo do produto nacional (a não ser que o preço da moeda caia ou que a quantidade de moeda aumente).

Fica assim explicado que a invocação da paradoxo da poupança para demonizar as famílias ou nações mais poupadoras, e angelizar as mais gastadoras é essencialmente um abuso. Esta teoria tem em consideração um período de relativo curto-prazo e especifica um caso particular de procura de poupança – moeda ou liquidez. Na realidade, ao contrário do que defendem certos comentadores, a existência de poupança é mesmo condição necessária para o crescimento económico de uma qualquer nação.

(para facilitar a leitura desta reflexão, este comentário será dividido em 3 partes: I, II, III)

Publicado em Economia | Tags , | 2 Comentários

Moeda, poupança, e confusões económicas (I)

Se por nada mais, a recente crise financeira tem tido o efeito positivo de aumentar o interesse de pessoas comuns em assuntos económicos. Não só há um aumento do escrutínio público por estatísticas macroeconómicas, mas há também uma procura activa por explicações causais e mesmo, por teorias económicas. Já de lamentar, é a maior confusão do que esclarecimento gerada por alguns dos transmissores dessas ideias: políticos, jornalistas, bloggers, etc..

Um exemplo recente centra-se na responsabilização – ou desresponsabilização – da crise de dívida que assola a zona euro. O que se observa é que, simultaneamente, um conjunto de países acumulou défices e dívidas externas (e.g. Portugal, Espanha, Grécia), ao passo que outros países acumularam excedentes externos (Alemanha, Holanda), gerando assim os desequilíbrios macroeconómicos que afectam hoje a comunidade europeia. O ónus da culpa é assim distribuído tanto para os países mais profligadores como para os mais parcimoniosos (e.g. aqui, aqui, e aqui – a desmontagem desta tese errónea terá de ficar para um comentário futuro). A virtude transforma-se em vício; países que iniciaram reformas estruturais, com políticas de moderação salarial e contenção da despesa tornam-se nos vilões, enquanto que países que investiram em sectores não competitivos – tal como a construção -, ou que mantiveram idades de reforma aos 55 anos e falsearam as estatísticas públicas tornam-se nos violentados – ou mesmo nos heróis.

O interessante é que esta interpretação da realidade é emoldurada sob a lógica quasi científica do Lord Keynes patente no seu paradoxo da poupança. A poupança das famílias é mesmo vista como o principal inibidor ao crescimento económico (veja-se este exemplo notável no Jugular). Obviamente que esta interpretação é abusiva em relação à lógica do paradoxo da poupança de Keynes e do papel da poupança no crescimento económico. Vamos tentar justificar esse abuso explicitando ambos os conceitos.

(para facilitar a leitura desta reflexão, este comentário será dividido em 3 partes: I, II, III)

Publicado em Economia | Tags , | 5 Comentários

Desafios da imprensa generalista

A recente reestruturação do jornal i provocou uma pequena discussão na blogosfera sobre a viabilidade futura da imprensa (ex: aqui, aqui, e aqui). É certo que a circulação generalizada de revistas e jornais é algo desejável, contribuindo para uma opinião pública mais crítica. Contudo, é também de reconhecimento generalizado que esta é uma industria em crise, com sérias dificuldades financeiras. Já sobre os factores que contribuíram para este estado de coisas, e de soluções para este sector, não existe um consenso claro. Em particular, a emergência da popularidade da Internet é normalmente vista como o carrasco final da imprensa. Tal visão é prematura. Convém pois esclarecer algumas das tendências históricas que culminaram no actual panorama.

Um erro comum é afirmar que o aparecimento da Internet veio desviar uma significativa quota do mercado publicitário das revistas e jornais. Esta é apenas uma verdade muito parcial. Utilizando dados relativos ao mercado dos EUA, verifica-se que essa tendência se iniciou muito antes da web se ter tornado popular. Naturalmente, com o desenvolvimento de outros meios de média e publicidade mais direccionados – principalmente televisão por cabo, e correspondência directa -, a imprensa escrita perdeu a importância que outrora teve. A Internet veio apenas acelerar um processo de decadência que já se encontrava em curso desde os anos 70 do século passado.

fonte: diversas, apresentação por H.Varian - Google

A razão desta queda da imprensa nos mercados publicitários é simples: notícias generalistas não vendem publicidade. Mas este é um facto conhecido pelos jornalistas que, já desde há muito tempo, decidiram explorar os interesses especiais dos leitores com secções próprias nos seus jornais de viagens, automóveis,  jardinagem, restauração, etc. No entanto esta tentativa de atrair receitas não foi nem é suficiente. E ainda menos o é à medida que a Internet vem facilitar as necessidades mais especificas de informação dos consumidores.

Mas a emergência da Internet vem também abrir novas potencialidades à imprensa escrita. Os jornais migram parte importante das suas operações para a rede e começam a experimentar a cedência de conteúdos mediante o pagamento pelos utilizadores. Rapidamente se começa a perceber que per se, esta não é uma solução viável. O mundo da Internet é o da competição. Esta será particularmente feroz quando a variável diferenciadora do que se vende é apenas o preço. Entre economistas é comum designar-se este tipo por concorrência à Bertrand: a competição arrasta todos os agentes ao mínimo denominador. Significa isto que, se há pelo menos um fornecedor a garantir notícias e conteúdos de média gratuitamente (preço zero), então todos os outros terão também de a disponibilizar por esse preço se quiserem ter alguma procura. Imaginemos, por exemplo no valor acrescentado para um consumidor da meteorologia num conteúdo pago – zero!

A economia industrial indica que a única solução para esta dinâmica decadente do mundo da competição à Bertrand passa invariavelmente por uma maior especialização e qualidade. Mas mesmo neste campo  é necessário bastante prudência e tentar evitar conteúdos facilmente reproduzíveis. A notícia de resultado de um jogo de futebol infantil local pode ser considerado um conteúdo especializado, mas ao se pensar na quantidade de mães que, quase instantaneamente, emite o resultado do jogo no Twitter através de smartphones, percebe-se que este é um conteúdo facilmente reproduzível e como tal não comercializável. Ao invés os jornalistas devem-se dedicar à análise de temas específicos, pontos de vista, fornecimento de dados de indústrias; isto é, conteúdos dificilmente imitáveis. Ademais, os jornalistas podem utilizar as suas redes de contactos, normalmente extensas, para envolver especialistas e as suas opiniões directamente com o consumidor, utilizando para isso as novas tecnologias existentes.

Um exemplo que eu aprecio em particular é o da revista The Economist. Os seus artigos são altamente especializados e de qualidade irrepreensível, incluído notícias, análises, estatísticas, e artigos de opinião o que desde logo fideliza uma parte importante dos seus leitores. No entanto não ficam apenas pela versão impressa, disponibilizando também conteúdos na rede de forma extensiva e próxima do leitor: toda a revista impressa é disponibilizada na rede, utilização de blogs associados à revista, disponibilização de podcasts de áudio e vídeo (disponibilizados por canais populares como rss e itunes), debates semanais onde economistas conhecidos e público interessado entram em discussão de ideias,  serviço de agregação de estatísticas, etc, etc. Este é um bom exemplo daquilo que pode ser o futuro da imprensa generalista. Pode ser ainda muito mais. Utilizando as palavras que Hal Varian, economista chefe da Google, utilizou numa apresentação para uma conferência sobre imprensa (disponibilizada em baixo):

“As três coisas que os jornais têm a fazer é experimentar, experimentar, experimentar!”

Publicado em Economia | Tags , | 1 Comentário

Frases por Abel Salazar e Stuart Mill

A certa altura, num dos últimos debates televisivos para as próximas eleições, um dos intervenientes tentou citar uma famosa frase de Abel Salazar:

“Um médico que só saiba de medicina nem de medicina sabe”

O que me fez imediatamente lembrar uma outra famosa frase por Stuart Mill:

“a man is not likely to be a good economist if he is nothing else.” cit. por Lionel Robbins (p.165)

Afinal a medicina não deve ser assim tão diferente da ciência económica.

Publicado em Economia | 1 Comentário

Frank Zappa – I’m the Slime

Já em 1973 o estado geral da situação política/comunicação social/sistema empresarial deste Portugal do séc. XXI era descrito entre os mais elevados círculos artísticos e culturais por esse mundo fora. Dos EUA, Frank Zappa com todo o carinho, directamente para os portugueses:

Frank Zappa : I’m The Slime

I am gross and perverted
I’m obsessed ‘n deranged
I have existed for years
But very little had changed
I am the tool of the Government
And industry too
For I am destined to rule
And regulate you

I may be vile and pernicious
But you can’t look away
I make you think I’m delicious
With the stuff that I say
I am the best you can get
Have you guessed me yet?
I am the slime oozin’ out
From your TV set

(…)

Publicado em Economia | Tags , , | Publicar um comentário

LCARS – Ficção Científica ou Realidade?

A Wolfram, empresa de software conhecida pela aplicação Mathematica, decidiu entrar no mercado de motores de pesquisa web. O WolframAlpha é o nome escolhido para este motor caracterizado pela utilização sofisticada de inteligência artificial.

Basicamente esta página responde a questões colocadas pelo utilizador, listando informação relevante. Por exemplo, se alguém quiser saber o valor lógico da afirmação “p implica q e p e não q“, basta apenas digitarp implies q and p and not q“. Entre outras coisas o computador vai retribuir automaticamente a seguinte informação:

MSP26619765f9adb0f784800006836d8g797ebb8aaMSP27119765f9adb566632000015h62g605604b883MSP28119765f9adb8eaaga00003ei73da6gea42if4

Para ficarmos com uma ideia das potencialidades deste novo site, e como este é um blogue de economia, deixo aqui algumas questões que eu próprio coloquei:

Produtividade de Portugal comparada com a de Espanha (rácio)
MSP7119765gi7f0335bh600002i6d066831ae55d1MSP8719765gi7f06d10c100002ahd667a9976h460

Valor das exportações versus importações em Portugal:

MSP50719765d74g83dhi18000019246geb67d8a787MSP43319765d74g7eibd9200005ed2fcii320d25f5

Distribuição do rendimento na União Europeia (após impostos):

MSP71319765b12480a5d3400005edc6a11209a2430MSP68719765b12befbd1d900002c1dg3f16h5b1ebi

Demografia em Portugal (note-se na posição mundial!)

MSP27219765f8ce0dded55000059ed633ef0eb2259

Claro que este motor de pesquisa contém ainda imensos problemas que necessitam de resolução. No entanto a página está ainda em versão de teste. Para já o início foi auspicioso com milhões de visitas em apenas 3 meses. Este pequeno passo pela Wolfram significa que computadores lendários como o LCARS podem vir a tornar-se obsoletos na literatura de ficção científica.

Publicado em Economia | Tags , | Publicar um comentário

Erros de 1929, nunca mais

ED-AJ874_bernan_G_20090720153805

Um dos mais graves problemas da Grande Depressão foi a queda de preços. Entre 1929 e 1931 os preços nos EUA caíram mais de 25%, um efeito que terá contribuído para a evolução nefasta da economia americana – fortemente baseada no crédito (para ver quais as consequências negativas de uma deflação consultar aqui).

Para alguns economistas, esse comportamento adverso dos preços, derivou directamente de políticas erradas da Reserva Federal. Nesta corrente de opinião, foi a inacção e falta de credibilidade das políticas do banco central que fizeram com os preços tivessem uma evolução tão negativa.

Será que estamos a cometer o mesmo erro do passado? Dificilmente. Lembremos-nos o que disse Ben Bernanke em 2002, na comemoração do nonagésimo aniversário de Milton Friedman, relativamente à Grande Depressão e dirigindo-se directamente ao seu Professor e a Anna Schwartz (co-autora de Friedman):

Sim têm razão, fomos nós que a criamos. Estamos desgostados. Mas graças a vocês, isso não irá mais acontecer.

Mas será que estas palavras estão a ter paralelo nesta crise de 2007 que vivemos. Avaliando pela evolução dos preços, parece que sim. Deixo aqui a minha última figura que compara os preços dos bens ao consumo em 1929 e em 2008. Os riscos de deflação parecem afastados. Entre Dezembro de 2008 e Junho de 2009, a taxa média anualizada de inflação já ultrapassou os 2%. O grande objectivo agora é que os EUA se mantenham por aí.

inflation

Evolução do Índice de Preços ao Consumidor nos EUA nos episódios da Grande Depressão e da crise de 2007-presente. Fonte FRED.
Nota: A gravura no topo do artigo foi retirada do Wall Street Journal aqui.
Publicado em Macroeconomia, Política Económica | Tags , , | Publicar um comentário

Rendimentos decrescentes – uma resposta

Em resposta ao artigo que escrevi anteriormente o Carlos Santos  argumenta o seguinte:

Enquanto a maioria dos economistas continuarem a encarar o mundo desta forma – “a minha teoria está certa, os dados que se ajustem até baterem certo com ela” – estão a trabalhar numa não ciência.

Sem querer elaborar muito sobre o assunto – até porque o Luís Conraria já teve uma interessante troca de argumentos com o Carlos Santos – vou apenas comentar um aspecto desta frase que parece ter passado despercebido. Em economia como em qualquer outra ciência devemos ter bem presente a distinção entre os termos ‘dado’, ‘previsão’, e ‘estimativa’. O primeiro é um acontecimento já ocorrido que pode ser mensurável. Já o termo ‘previsão’ resulta da aplicação de um modelo teórico – conjunto de variáveis que estão relacionadas por uma série de restrições – independentemente desse modelo ser um político, econométrico, ou qualquer outro. Posteriormente os modelos podem ser utilizados para vários propósitos, por exemplo a explicação de desenvolvimentos alternativos da realidade. Temos então uma ‘estimativa’. O relevante aqui é que as estimativas são um resultado que deriva de uma teoria.

Como os €21 biliões são uma ‘estimativa’ e não um ‘dado‘ a preposição do Prof. Carlos entra numa circularidade que pode ser resumida da seguinte maneira: se a minha teoria está certa, então a estimativa (minha teoria) que se ajuste até bater certo com ela. Temos uma clara tautologia. Uma tautologia que obviamente não tem qualquer relação de equivalência lógica com ciência. Já com ‘dados’ não poderíamos dizer o mesmo porque estes não se ajustam. Se não verificarem a teoria, então esta é falsa; mas se verificarem, a teoria pode ou não ser falsa. É por isso mesmo que convém sempre fundamentar bem as teorias subjacentes (ou neste caso, estimativa) quando não existem dados suficientemente adequados para a refutar. E não é isto que é feito no manifesto dos 51 quando descrevem a estimativa dos €21 biliões. Em parte nenhuma do documento conseguimos perceber qualquer justificação teórica àquele número.

Para finalizar voltemos ao tema central que originou a discussão: retornos decrescentes no factor trabalho. Na realidade existem vários estudos sérios a identificar que o factor trabalho apresenta rendimentos decrescentes (ex.: Eisner; Burnside, Eichenbaun, e Rebelo) em economias industrializadas (pelo menos no curto-prazo). Claro que isto não significa que nunca existam situações de retornos crescentes, mesmo no factor trabalho. Os exemplos clássicos incluem efeitos de aglomeração, emparelhamento (matching), propagações tecnológicas (spillovers), conhecimentos complementares. E estes efeitos, também conhecidos como externalidades, existem mesmo e têm implicações muito reais. Basta pensarmos que num mundo em que só existissem rendimentos decrescentes nunca haveria engenheiros indianos interessados em imigrar para os EUA quando o seu trabalho especializado é tão escasso no seu país e tão abundante no destino pretendido. Estes imigram para os EUA porque o seu rendimento aumenta quando trabalham juntos de pessoas com o mesmo nível de competências e beneficiam do conhecimento complementares existentes, por exemplo, em Silicon Valley. No entanto, estes fenómenos não eliminam necessariamente os efeitos tradicionais que referi: mais empregados para um mesmo número de máquinas diminui o produto adicional de cada um deles (devido a congestionamento, distracção, etc.). Isto é como em tudo o resto na economia – existem benefícios e custos; ou, no presente caso, existem efeitos que levam o factor trabalho a ter rendimentos decrescentes e outros que o levam a ter rendimentos crescentes. Agora, a questão fundamental que me levou a escrever o artigo anterior prende-se com o seguinte – será que, quando apresentaram no manifesto que a produtividade média do trabalho aumentaria se o desemprego desaparecesse do dia para a noite, tiveram em consideração tais externalidades positivas? E porque é que esses fenómenos aplicar-se-iam tanta importância numa economia como a portuguesa? A resposta a estas questões eu não encontro no manifesto.

Publicado em Economia, Microeconomia | Tags , , | 4 Comentários

Retornos decrescentes e manifestos de economistas

A ideia de que existem retornos decrescentes é muito simples mas de implicações muito práticas na economia. Imaginemos então a seguinte história. Vamos supor que eu quero fazer uma omelete de bacalhau com tomate à portuguesa para 4 pessoas. A melhor receita para realizar este prato envolve umas determinadas proporções dos ingredientes: 250 gramas de bacalhau, 12 ovos, 100g de manteiga, etc.. Mas vamos supor que aparece uma pessoa adicional para a refeição.  Temos assim duas formas diferentes para aumentar a produção da omelete. Ou aumentamos equitativamente todos os ingredientes; ou aumentamos apenas 1 ingrediente – por exemplo ovos – de maneira a que a quantidade final chegue para todos. A questão nuclear é que o aumento de ovos nesta última solução terá de ser muito maior do que quando todos os ingredientes crescem por igual. Aliás, se continuássemos a aumentar o número de ovos sem aumentar os demais ingredientes, chegaríamos  rapidamente a um ponto em que a refeição ia ficar intragável – uma diminuição efectiva da produção final.

Transpondo este exemplo para a linguagem económica, aquilo que dizemos é que a produtividade média do ingrediente ovos diminui quando todos os outros ingredientes se mantêm constantes. Esta é uma relação conhecida em economia como retornos decrescentes: a contribuição marginal de um factor de produção decresce à medida que a proporção desse factor aumenta.

Passando agora para outro tema, vejamos aquilo que foi escrito no recente manifesto das 51 personalidades:

Uma taxa de desemprego de 10% é o sinal de uma economia falhada, que custa a Portugal cerca de 21 mil milhões de euros por ano – a capacidade de produção que é desperdiçada, mais a despesa em custos de protecção social.

Esta é uma afirmação que fica bem em qualquer manifesto que queira captar a atenção do leitor mais desatento. Mas será que reflecte argumentos económicos sérios? De facto, quando lemos esta frase surgem imediatamente uma série de dúvidas pertinentes: será que estes senhores defendem que se pode simplesmente passar para desemprego 0% (?); ou será legítimo somar a produção desperdiçada com a despesa de protecção quando essa despesa resulta apenas da redistribuição da própria riqueza produzida (?). No entanto, o que me atraiu mais neste excerto foi a estimativa dos €21 biliões de produção desperdiçada quando o desemprego é 10%. Como terá sido este número produzido? Vamos tentar descortinar esta questão através da aplicação da ideia dos retornos decrescentes, i. e., a produtividade média de um factor diminui quando aumentamos um factor de produção. Passemos então aos números.

Utilizando dados do Eurostat, verificamos que o PIBpm de Portugal em 2008 foi de €166.227 biliões. Nesse mesmo ano os números do emprego situaram-se 4.872 milhões de trabalhadores. Podemos assim calcular a produtividade média por trabalhador através da seguinte fórmula:

newfile10x

Isto significa que cada trabalhador português produziu em média um valor de €34117 durante 2008.

Seguidamente os autores do manifesto referem 10% de desemprego. E este valor pode ser traduzido num número de trabalhadores adicionais resolvendo a seguinte equação:

newfile12x

Logo, da eliminação dos 10% de desemprego resultariam 541386 novos postos de trabalho. Assim, e dada a estimativa de €21 biliões para o acréscimo do PIB resultante desse emprego (designemos como variável y), temos dados suficientes para calcular a nova produtividade média no cenário hipotético lançado no manifesto. Esta pode ser calculada por recurso à seguinte expressão:

newfile11x

E o valor resultante para a produtividade é de €34585 por trabalhador. Surge assim o resultado surpreendente que a produtividade média aumenta €467, mesmo quando adicionamos mais de 500 mil trabalhadores no emprego total mas mantemos constante todos os restantes factores de produção (tecnologia, capital, energia, espaço). Mas isto significa que não existem retornos marginais decrescentes para o factor trabalho em Portugal. É como se os desempregados admitidos neste cenário fossem muito mais produtivos que os actuais trabalhadores ou se aumentassem a produtividade dos trabalhadores existentes. Na realidade nada disto acontece. Recém empregados são em média menos produtivos que os empregados incumbentes (pois ainda não possuem conhecimentos específicos relativos ao novo emprego); e estes não aumentam a produtividade dos outros trabalhadores (por aplicação directa dos rendimentos marginais decrescentes). A conclusão é que a estimativa apresentada no manifesto 51 é altamente duvidosa. Algo que poderia ter sido identificado pela simples aplicação de um dos resultados mais elementares em economia.

O mais surpreendente é que os senhores que publicaram este manifesto são também os primeiros a criticar os programas de economia ensinada nas faculdades (ver “o debate não pode parar“; e este artigo). Nas suas opiniões, as noções básicas da  microeconomia (no paradigma neoclássico) deveriam ser menos consideradas por substituição de um ensino mais “pluralista”. Mas não é assim que as coisas funcionam. Sem conceitos elementares não é possível discutir com substância questões complexas. Mas claro que o ensino de teorias esdrúxulas – por exemplo a teoria do trabalho marxista – é mais fácil quando os estudantes são acríticos ou não compreendem os conceitos mais básicos da teoria económica (por exemplo o de retornos marginais decrescentes). Felizmente este manifesto não ficou consignado à uma sala de aula. As respostas vão aparecer.

.

ch08_e3Exemplo de uma função de produção com rendimentos marginais decrescentes (entre D e H)

.

Publicado em Economia | Tags , , | 11 Comentários